sábado, 7 de março de 2026

Poema "A UM CARVALHO"


A UM CARVALHO

Ele continua.
Escondeu-se,
perdeu as folhas.

No recato do sossego
sofreu o frio da dor
insuportável,
o vazio sem cor.

Mas nas suas veias
sempre correu
lentamente e a fluir,
a esperança
em amor.

As raízes são fortes,
são lembranças
e alimento
de quem o plantou,
de quem passou,
mas vive.

Olho para ele e vejo
o presente e o futuro,
o perpetuar da vida
naquilo que desejo:
em mim,
em ti,
em todos nós.

José António de Carvalho, 07-março-2026