quinta-feira, 2 de julho de 2026

Texto "DESLIGUEM QUALQUER COISINHA"


DESLIGUEM QUALQUER COISINHA

Hoje, uma colega de trabalho perguntou-me se alguma vez me tinha “embedado”. Disse-lhe que não. Evidentemente, nunca. Tenho a clareza de um vinho branco e a textura de um tinto maduro — sim, porque eu sou um maduro.

O sabor… o sabor? Estou agora a senti-lo. Os efeitos, esses, dir-me-ão vocês, depois.

Chamarem-me bêbado é a maior injustiça que se faz a alguém que tenta criar algo interessante a partir do nada, do cinzento ou do negro da vida — e também dos incêndios de hoje, que são reflexo do Homem comum e do comum‑homem doente, sem que se conheça verdadeiramente a doença. Terão bebido ou drogado? Por falar nisso…

Conhecem a doença de Crohn? E o néctar Krohn? Muda-se uma letra, perde-se a essência, ganha-se o ânimo e a alegria. Alguns dirão que é indecência — mas a vida também se faz destes pequenos desvios.

Por falar em desvio, abram alas, afastem-se, que tenho que dormir. Amanhã é dia de trabalho. E este cheiro a cinza seca, a pairar no ar quente e seco, não augura um bom sono.

Foto1 "Imagem do bombeiro a combater incêndio em Vermoim"
Foto2 "Garrafa do Vinho Krohn 2022"

Foto 1


Foto2

domingo, 21 de junho de 2026

Poema "O POEMA QUE NÃO ESCREVO"



O POEMA QUE NÃO ESCREVO

Queria escrever um poema,
Mas não tenho tempo para o fazer.
E ele precisa de repousar no tempo.

Tempo que lhe faz amadurecer as sílabas,
Penetrar na nascente das palavras,
Tender a lira íntima até secar a emoção,
Escavar a fresta do rochedo até à humidade
Lacrimejada das imagens que deslumbram.

Não sou capaz. Não tenho tempo.

Vou dormir com este nó no peito.
Este aperto de não escrever o poema.
Aquele poema que me fez sonhar,
Ou sorrir, chorar, voar, existir;
e que nunca consegui escrever.

Também nunca alguém o iria ler.
Talvez nem sequer ouvi-lo.

Boa noite!...

José António de Carvalho, 21-junho-2026
Foto Pinterest 





Reflexão "PODIA ESTAR CALADO. AFINAL, É DOMINGO À TARDE..."

PODIA ESTAR CALADO. AFINAL, É DOMINGO À TARDE...

Nada mais falso do que a frase tantas vezes repetida: “Sou feliz como sou. O que os outros pensam não me importa para nada.” É falso. Profundamente falso.

Vivemos todos em sociedade, mesmo quando insistimos em viver isolados. Mais cedo ou mais tarde, para existir, precisamos de sair do nosso casulo. E, quando saímos, confrontamo‑nos com notícias, conversas, atitudes e acontecimentos que nos mostram que estamos longe dos outros — e, perante esse desconforto, agarramo‑nos ao argumento fácil: “Os outros é que estão mal. Eu estou certo. Continuarei a ser como sempre fui.”

Mas esta visão de nós, dos outros e da vida não nos leva a lado nenhum. Fecha‑nos. Encolhe‑nos. Torna‑nos mais sós e menos capazes de ver a realidade do mundo.

E se isto é verdade para cada um de nós, é também verdade para quem lidera. Basta olhar para os erros dos líderes das grandes potências — e de tantos outros países. Vivem fechados sobre o seu ego, sobre o seu interesse imediato e sobre o círculo que os rodeia. Assim se cria um fosso cada vez maior entre ricos e pobres, fortes e frágeis, informados e ignorantes.

Quando o mundo funciona assim, não admira que quem está no lado desfavorecido deseje subir ao patamar dos favorecidos. E daí nascem a corrupção, os favores, as pressões, o uso de influência, as guerras. Porquê?

Porque vivemos num sistema onde o dinheiro e o poder dominam tudo. O ser humano deixou de ser o centro. O ser humano voltou ao antigamente e é, cada vez mais, instrumento.

O dinheiro compra tudo — inclusive poder. O poder decide. E quase sempre à custa do mesmo grupo: os contribuintes, aqueles que pagam, sustentam, suportam e raramente são ouvidos.

Talvez o primeiro passo para mudar isto seja reconhecer o óbvio: ninguém vive sozinho, ninguém se constrói sozinho, ninguém se salva sozinho. A relação com o outro não é uma ameaça — é a única possibilidade de futuro.

Bom domingo.




sábado, 6 de junho de 2026

Marcha de Santo António – 2026

Marcha de Santo António – 2026

Quadras a concurso organizadas em Marcha Popular.

As festas de Santo António voltam a iluminar Famalicão com o brilho que só a tradição sabe acender. Entre o som das marchas, o perfume dos manjericos e a alegria que percorre as ruas, nasceram estas quadras — algumas delas distinguidas com menção honrosa no concurso deste ano.

Agradeço ao Orfeão Famalicense, que celebra 110 anos de existência, e à Câmara Municipal de Famalicão, pela organização deste concurso que mantém viva a nossa identidade cultural e dá voz aos que continuam a escrever para a festa.

Reunidas agora numa versão organizada e evolutiva, estas quadras formam uma marcha completa: começam na cidade que desperta, seguem pela folia do feriado, atravessam o baile popular, celebram o orgulho famalicense e regressam à emoção que une o povo em cada junho.

São versos que dançam, que sorriem, que recordam e que celebram.

São também um gesto de gratidão à inspiração que, ano após ano, me leva a participar nesta tradição tão nossa.

Que estas quadras continuem a ecoar nas ruas, nos arraiais e nos corações.

José António de Carvalho


Marcha

Pelas ruas da cidade há muito corre o rumor: Santo António, na verdade, é mestre do bom humor.


Refrão Viva a marcha, viva a festa, que ninguém fique parado; Santo António não protesta p’lo povo ser animado.

Pecado é trabalhar no dia de Santo António, vamos lá todos dançar nestas festas património.

No dia das Antoninas pecado é trabalhar, faço férias pequeninas para poder festejar.

Na terra é feriado e veio mesmo a calhar, se o santo é festejado, pecado é trabalhar.

Refrão

Viva a marcha, viva a festa, que ninguém fique parado; Santo António não protesta p’lo povo ser animado.

Alegria p’ras mais novas, ainda mais para as crescidas; é aqui que se dão provas, rapazes e raparigas.

Morta de tanto bailar e a noite ainda a meio; agora já tenho par, vamos dormir no centeio.

No centeio vou ficar, não sei se chego ao meio; se lá conseguir entrar, pois das bordas estou cheio.

Espero entrar na folia e arranjar um casamento; prometo que o levaria para o teu próximo evento.

Santinho, não leve a mal, se a quadra sai mais faceira; é costume no arraial, tudo isto é brincadeira.

Refrão

Viva a marcha, viva a festa, que ninguém fique parado; Santo António não protesta p’lo povo ser animado.

No relento vou ficar recuperando energias; e voltarei p’ra dançar e queimar mais calorias.

Santo António é do povo e tem grande coração trazendo vida de novo à nossa Famalicão.

Refrão

Viva a marcha, viva a festa, que ninguém fique parado; Santo António não protesta p’lo povo ser animado.

Guarda, Santinho, a folia, grande noite a recordar... dá-me saúde e alegria, para o ano quero voltar.

O Santo António chuvoso vem o verão anunciar; vai ser mais delicioso com guarda-chuva a abrigar.

Há muito corre o rumor que o Santinho vai contente lá no alto do seu andor a saudar toda esta gente.

Convidei prás Antoninas belas rosas do jardim, são meninas bailarinas que dançam até ó fim.

Vieram dos quatro cantos do país para dançarem, nas ruas dos mil encantos fazem juras de voltarem.

No dia treze de junho há séculos a contar Vieira de voz em punho quis Santo António louvar.

Refrão

Viva a marcha, viva a festa, que ninguém fique parado; Santo António não protesta p’lo povo ser animado.

Ver as ruas tão floridas, com gente linda a sorrir, apaga a dor das feridas que a vida teima em abrir.

E nesta festa em união, o povo sábio em viver, de pé leve e coração, lá consegue renascer.

Há anos que se trabalha no f’riado do concelho; Santo António muito ralha, não lhe adianta fazê-lo.

Ai Santinho, estou sem ar e a noite ainda vai criança, a dançar perdi meu par; o que fazer da aliança?

Inspira-te Santo António e faz lá a tua quadra; incentiva o matrimónio... verás que não custa nada!

És feliz com o menino nesse colo acolchoado, mas não é esse o destino de muito pobre coitado.

Ligam o treze ao azar por esquecerem o dia que Santo António vem dar razões de tanta folia.

Canta e dança alegremente, sejas jovem ou nem tanto, contagia toda a gente na festa do nosso Santo.

As pombinhas acordaram na manhã do dia treze e bem cedo festejaram na lagoa da Devesa.

Refrão

Viva a marcha, viva a festa, que ninguém fique parado; Santo António não protesta p’lo povo ser animado.






domingo, 24 de maio de 2026

Poema "NA ESPERANÇA DE SEGUIR"


NA ESPERANÇA DE SEGUIR

Mudamos sem dar por isso,
como água a fluir no rio;
a vida empurra, dobra, inclina,
e o corpo cede ao desvio.

Vestimos sempre novas peles,
tentamos salvar o coração;
umas são nossas, outras não,
mas fingimos para proteção.

O espelho mente de leve,
com rude ternura ou crueldade;
mostra sombras do que fomos
e afasta-nos da verdade.

E assim seguimos vivendo
entre o que somos e parecemos:
a alma cedo embala na deriva,
o mundo exige — e cegos cedemos.

No limiar da ilusão
erguemos casa no assombro;
somos quem somos… e o resto
dissolve-se dentro de nós:
entre o que fomos
e o que sonhávamos ser
e que nunca seremos.

José António de Carvalho, 24-maio-2026
Foto "Pinterest"



terça-feira, 5 de maio de 2026

Poema "NO REGAÇO DE MAIO"



NO REGAÇO DE MAIO

No regaço do mês de maio,

desdobra-se um manto branco

que se estende no calendário

como um jardim de cravos de oiro

regado pelo canto das andorinhas.

 

Do seu voo nascem estrelas,

da cor das velas das barquinhas;

e nas águas doces dos corações,

onde a ternura alimenta as raízes,

cantam meninos e meninas

à Mãe de todas as mães

as suas orações pequeninas.

 

E da brisa da sua voz inocente,

vão esmaecendo lentamente

as sombras das armas das nações.


José António de Carvalho, 05-maio-2026
Foto "Quadro Pinterest"





domingo, 3 de maio de 2026

Poema "MÃE" – Dia da Mãe, 03-maio-2026



MÃE – Dia da Mãe, 03-maio-2026

Mãe que abraça,
Mãe que chama,
Mãe que acende
a luz da alma.

Mãe que embala,
Mãe que aquece,
Mãe que sara
o que entristece.

Mãe que planta,
Mãe que guia,
Mãe que luta
dia a dia.

Mãe que ampara,
Mãe que espera,
Mãe que guarda
a vida inteira.

Mãe que sente,
Mãe que chora,
Mãe ferida,
Mãe que adora.

Mãe menina,
Mãe mulher,
Mãe que ensina,
Mãe que é…

Sempre calorosa,
mesmo quando o mundo pesa.
Sempre firme,
pela ternura que traz acesa.

Nem a idade a verga
nem a fragilidade a para;
serás sempre a Mãe,
e nada nos separa.

José António de Carvalho, 03-maio-2026



quarta-feira, 29 de abril de 2026

Poema "AGORA"


AGORA

Quando tudo se faz breve,
um ser quase por não ser,
o que temos não nos serve;
e o que está por suceder
crê-se que há-de valer.

Se o passado já passou,
quem ao agora não liga
e ao futuro se entregou,
saiba que ele até castiga
quem no desejo se abriga.

Que se aprenda a bem viver
no instante que se revela,
não só no que há-de ser
nem na memória tão bela,
mas no agora que interpela:

Se a vida passa a correr,
não a deixes escapar,
aprende a nela viver
e com o tempo lutar
p’lo agora, que é o lugar.


José António de Carvalho, 29-abril-2026
Foto "Pinterest"





sábado, 18 de abril de 2026

Poema "CRAVO VERMELHO"


CRAVO VERMELHO 

Era a esperança,
o cerne do sonho,
a alma do corpo
em sangue rubi.

Nascido em abril,
abriu-se, floriu,
numa dança viva
tecida pelas mãos.

Era cor de aliança,
luz erguida,
abrindo horizontes
nas fábricas,
nos campos, nas cidades,
nos montes —
e nos olhos da vida,
nascia um novo dia.

Iluminava paisagens
agitadas pelo vento.
Cantaram papoilas
no ventre das searas,
grávidas de imagens,
de sonhos e dores
de um país que acorda.

O negro da espera
esfumou-se nos céus,
abrindo uma esfera
de múltiplas cores:
astros de sonho,
memória viva
deste povo —
pobre
e nobre.

José António de Carvalho, 18-abril-2026
Pintura "Pinterest"




sábado, 7 de março de 2026

Poema "A UM CARVALHO"


A UM CARVALHO

Ele continua.
Escondeu-se,
perdeu as folhas.

No recato do sossego
sofreu o frio da dor
insuportável,
o vazio sem cor.

Mas nas suas veias
sempre correu
lentamente e a fluir,
a esperança
em amor.

As raízes são fortes,
são lembranças
e alimento
de quem o plantou,
de quem passou,
mas vive.

Olho para ele e vejo
o presente e o futuro,
o perpetuar da vida
naquilo que desejo:
em mim,
em ti,
em todos nós.

José António de Carvalho, 07-março-2026



domingo, 22 de fevereiro de 2026

Poema "PRIMAVERA"


PRIMAVERA

Fechei a porta ao tempo
da escuridão dos dias.

Abri a minha alma
às promessas de luz,
de sonho e de vida
nos ramos das árvores.

Deixo que o sol
me ilumine os olhos,
faíscas claras
no bulício das águas.

Como precisava
que chegasse o momento…

Afasto-me da porta.
Embriago-me de primavera.

José António de Carvalho, 22-fevereiro-2026





segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Poema "ANIVERSÁRIO"


ANIVERSÁRIO

Se houvesse um sopro,
palmas, centelhas de luz…

Um cântico de alegria
a saudar a vida.

Se houvesse magia
e o anúncio da primavera,

família em volta,
em calorosa harmonia.

Se Deus o tivesse querido,
bastaria operar
um milagre dos antigos.

Estarias aqui, no teu aniversário,
com família e amigos,

recebendo parabéns
e abraços fraternos.

Agora, apenas memórias e orações,
saudades vivas nos corações.

José António de Carvalho, 16-fevereiro-2026




quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Reflexão: "A VIDA E O RELÓGIO DO SÉCULO XX"


Texto para todos — Mas particularmente para aniversariantes.


A VIDA E O RELÓGIO DO SÉCULO XX


A VIDA E O RELÓGIO DO SÉCULO XX

Penso na vida como um velho relógio de ponteiros, desses que indicavam o dia, a semana, o mês. Um relógio ultrapassado, mas ainda muito apreciado pela sua beleza e delicadeza.

Penso, também, na forma estranha como o tempo acelera à medida que avançamos.

Aos dez anos, a vida arrasta-se, quase imóvel, como o marcador do mês — olhamos, voltamos a olhar, e nada parece ter mudado.

Aos vinte, avança com a lentidão confortável do indicador da semana. O tempo ainda é largo, ainda há espaço para tudo. Chega a cansar olhar para o relógio sempre na mesma hora.

Aos trinta, o tempo ganha cadência. Já não o seguimos com os olhos, mas com os sentidos; confiamos nele. O dia passa como o ponteiro das horas: constante, previsível, quase silencioso. Apenas acreditamos que passou depois de ele já ter passado.

Aos quarenta, o dia passa como passam os bons dias, com manhãs, tardes, fins de tarde e boas noites: nem depressa, nem devagar, apenas como como deve ser.

Aos cinquenta, o dia já nos engana. Entra num carro a diesel: começa devagar, quase hesitante, mas, quando damos por isso, já está a chegar ao destino.

Aos sessenta, o dia precipita-se. Vem à velocidade de um carro de Fórmula 1. Vemos a forma, adivinhamos a cor, e já passou — ficam o fumo, o cheiro a borracha quente dos pneus e o deslocamento do ar. Ficamos ainda a tentar perceber o que aconteceu, e entretanto passa uma semana, ou um mês.

Aos setenta, surge como a surpresa de um avião supersónico. Vemo-lo e assustamo-nos; rodamos o pescoço, tentamos segui-lo com o olhar, e só depois chega o som — de outro Natal que passa — e comovemo-nos.

Aos oitenta, é como um raio de luz.
Se o sentirmos, já é uma sorte.

José António de Carvalho, 04-fevereiro-2026
Foto do Instituto Português de Relojoaria




terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Poema "VALE A PENA"


VALE A PENA

Vale a pena resistir
À mutilação do sonho,
Ao fantasma do fracasso.
Pegar as rédeas e ir
À procura de um espaço.

Vale a pena analisar
Cada lágrima vertida,
Cada noite não dormida
Pela dor que quis ficar
No meu peito a macerar.

Vale a pena acreditar
Que o amor não morreu,
Não foi enterrado – vive…
No que sou e onde estive,
No que resta caminhar.

José António de Carvalho, 27-janeiro-2026
Foto da minha autoria








sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Poema "ENCANTO"


ENCANTO

O encanto mora
Em cada segundo,
Em cada hora…
E em cada dia
Em que a tarde cai,
Remexe e finda;
E no cerrar dos olhos
Do dia que se vai;

No seio da noite,
No brilho das estrelas
Do sonho até à aurora;
No abraço que se deu,
No que se dá e vai embora;
Nos que quero dar ainda…

José António de Carvalho, 16-janeiro-2026
Imagem Pinterest





quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Poema "2026, SEM PRESSA"


2026, SEM PRESSA


Não digo mal de um velho

Que andou na corda da vida

E que para mim é espelho

Do que quero viver ainda. 

 

Fique o velho 2025, 

Que até foi abençoado,

Limpo, de rosto absinto,

Sem preconceito de passado.

 

Que venha de manso, sem pressa,

Em voo de ave e de luz,

Pôr fim ao ódio depressa

Que ao abismo nos conduz.


José António de Carvalho, 01-janeiro-2026

Foto "Pinterest"