Marcha de Santo António – 2026
Quadras a concurso organizadas em Marcha Popular.
As festas de Santo António voltam a iluminar Famalicão com o brilho que só a tradição sabe acender. Entre o som das marchas, o perfume dos manjericos e a alegria que percorre as ruas, nasceram estas quadras — algumas delas distinguidas com menção honrosa no concurso deste ano.
Agradeço ao Orfeão Famalicense, que celebra 110 anos de existência, e à Câmara Municipal de Famalicão, pela organização deste concurso que mantém viva a nossa identidade cultural e dá voz aos que continuam a escrever para a festa.
Reunidas agora numa versão organizada e evolutiva, estas quadras formam uma marcha completa: começam na cidade que desperta, seguem pela folia do feriado, atravessam o baile popular, celebram o orgulho famalicense e regressam à emoção que une o povo em cada junho.
São versos que dançam, que sorriem, que recordam e que celebram.
São também um gesto de gratidão à inspiração que, ano após ano, me leva a participar nesta tradição tão nossa.
Que estas quadras continuem a ecoar nas ruas, nos arraiais e nos corações.
José António de Carvalho
Marcha
Pelas ruas da cidade
há muito corre o rumor:
Santo António, na verdade,
é mestre do bom humor.
Refrão
Viva a marcha, viva a festa,
que ninguém fique parado;
Santo António não protesta
p’lo povo ser animado.
Pecado é trabalhar
no dia de Santo António,
vamos lá todos dançar
nestas festas património.
No dia das Antoninas
pecado é trabalhar,
faço férias pequeninas
para poder festejar.
Na terra é feriado
e veio mesmo a calhar,
se o santo é festejado,
pecado é trabalhar.
Refrão
Viva a marcha, viva a festa,
que ninguém fique parado;
Santo António não protesta
p’lo povo ser animado.Alegria p’ras mais novas,
ainda mais para as crescidas;
é aqui que se dão provas,
rapazes e raparigas.
Morta de tanto bailar
e a noite ainda a meio;
agora já tenho par,
vamos dormir no centeio.
No centeio vou ficar,
não sei se chego ao meio;
se lá conseguir entrar,
pois das bordas estou cheio.
Espero entrar na folia
e arranjar um casamento;
prometo que o levaria
para o teu próximo evento.
Santinho, não leve a mal,
se a quadra sai mais faceira;
é costume no arraial,
tudo isto é brincadeira.
Refrão
Viva a marcha, viva a festa,
que ninguém fique parado;
Santo António não protesta
p’lo povo ser animado.
No relento vou ficar
recuperando energias;
e voltarei p’ra dançar
e queimar mais calorias.
Santo António é do povo
e tem grande coração
trazendo vida de novo
à nossa Famalicão.
Refrão
Viva a marcha, viva a festa,
que ninguém fique parado;
Santo António não protesta
p’lo povo ser animado.
Guarda, Santinho, a folia,
grande noite a recordar...
dá-me saúde e alegria,
para o ano quero voltar.
O Santo António chuvoso
vem o verão anunciar;
vai ser mais delicioso
com guarda-chuva a abrigar.
Há muito corre o rumor
que o Santinho vai contente
lá no alto do seu andor
a saudar toda esta gente.
Convidei prás Antoninas
belas rosas do jardim,
são meninas bailarinas
que dançam até ó fim.
Vieram dos quatro cantos
do país para dançarem,
nas ruas dos mil encantos
fazem juras de voltarem.
No dia treze de junho
há séculos a contar
Vieira de voz em punho
quis Santo António louvar.
Refrão
Viva a marcha, viva a festa,
que ninguém fique parado;
Santo António não protesta
p’lo povo ser animado.
Ver as ruas tão floridas,
com gente linda a sorrir,
apaga a dor das feridas
que a vida teima em abrir.
E nesta festa em união,
o povo sábio em viver,
de pé leve e coração,
lá consegue renascer.
Há anos que se trabalha
no f’riado do concelho;
Santo António muito ralha,
não lhe adianta fazê-lo.
Ai Santinho, estou sem ar
e a noite ainda vai criança,
a dançar perdi meu par;
o que fazer da aliança?
Inspira-te Santo António
e faz lá a tua quadra;
incentiva o matrimónio...
verás que não custa nada!
És feliz com o menino
nesse colo acolchoado,
mas não é esse o destino
de muito pobre coitado.
Ligam o treze ao azar
por esquecerem o dia
que Santo António vem dar
razões de tanta folia.
Canta e dança alegremente,
sejas jovem ou nem tanto,
contagia toda a gente
na festa do nosso Santo.
As pombinhas acordaram
na manhã do dia treze
e bem cedo festejaram
na lagoa da Devesa.
Refrão
Viva a marcha, viva a festa,
que ninguém fique parado;
Santo António não protesta
p’lo povo ser animado.