CRAVO VERMELHO
Era a esperança,
o cerne do sonho,
a alma do corpo
em sangue rubi.
Nascido em abril,
abriu-se, floriu,
numa dança viva
tecida pelas mãos.
Era cor de aliança,
luz erguida,
abrindo horizontes
nas fábricas,
nos campos, nas cidades,
nos montes —
e nos olhos da vida,
nascia um novo dia.
Iluminava paisagens
agitadas pelo vento.
Cantaram papoilas
no ventre das searas,
grávidas de imagens,
de sonhos e dores
de um país que acorda.
O negro da espera
esfumou-se nos céus,
abrindo uma esfera
de múltiplas cores:
astros de sonho,
memória viva
deste povo —
pobre
e nobre.
Pintura "Pinterest"
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