sábado, 18 de abril de 2026

Poema "CRAVO VERMELHO"


CRAVO VERMELHO 

Era a esperança,
o cerne do sonho,
a alma do corpo
em sangue rubi.

Nascido em abril,
abriu-se, floriu,
numa dança viva
tecida pelas mãos.

Era cor de aliança,
luz erguida,
abrindo horizontes
nas fábricas,
nos campos, nas cidades,
nos montes —
e nos olhos da vida,
nascia um novo dia.

Iluminava paisagens
agitadas pelo vento.
Cantaram papoilas
no ventre das searas,
grávidas de imagens,
de sonhos e dores
de um país que acorda.

O negro da espera
esfumou-se nos céus,
abrindo uma esfera
de múltiplas cores:
astros de sonho,
memória viva
deste povo —
pobre
e nobre.

José António de Carvalho, 18-abril-2026
Pintura "Pinterest"