quinta-feira, 2 de julho de 2026

Texto "DESLIGUEM QUALQUER COISINHA"


DESLIGUEM QUALQUER COISINHA

Hoje, uma colega de trabalho perguntou-me se alguma vez me tinha “embedado”.

Disse-lhe que não. Evidentemente, nunca.

Tenho a clareza de um vinho branco e a textura de um tinto maduro — sim, porque eu sou um maduro.

O sabor… o sabor?

Estou agora a senti-lo.

Os efeitos, esses, dir-me-ão vocês, depois.

Chamarem-me bêbado é a maior injustiça que se faz a alguém que tenta criar algo interessante a partir do nada, do cinzento ou do negro da vida — e também dos incêndios de hoje, que são reflexo do Homem comum e do comum‑homem doente, sem que se conheça verdadeiramente a doença.

Terão bebido ou drogado? Por falar nisso…

Conhecem a doença de Crohn? E o néctar Krohn?

Muda-se uma letra, perde-se a essência, ganha-se o ânimo e a alegria.

Alguns dirão que é indecência — mas a vida também se faz destes pequenos desvios.

Por falar em desvio, abram alas, afastem-se, que tenho que dormir. Amanhã é dia de trabalho.

E este cheiro a cinza seca, a pairar no ar quente e seco, não augura um bom sono.

Depois da noite e de um dia, Portugal sobreviveu no Mundial.

O calor é cada vez mais intenso e as casas estão secas e quentes.

A humidade atmosférica parece intimidada.

E nós lá continuaremos, ludibriados pelos filmes de uma verdade a cores — essa verdade que a vida insiste em projetar, com um enorme fundo de ecrã negro.

Foto1 "Imagem do bombeiro a combater incêndio em Vermoim"
Foto2 "Garrafa do Vinho Krohn 2022"

Foto 1


Foto2

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