DESLIGUEM QUALQUER COISINHA
Hoje, uma colega de trabalho perguntou-me se alguma vez me tinha “embedado”.
Disse-lhe que não. Evidentemente, nunca.
Tenho a clareza de um vinho branco e a textura de um tinto maduro — sim, porque eu sou um maduro.
O sabor… o sabor?
Estou agora a senti-lo.
Os efeitos, esses, dir-me-ão vocês, depois.
Chamarem-me bêbado é a maior injustiça que se faz a alguém que tenta criar algo interessante a partir do nada, do cinzento ou do negro da vida — e também dos incêndios de hoje, que são reflexo do Homem comum e do comum‑homem doente, sem que se conheça verdadeiramente a doença.
Terão bebido ou drogado? Por falar nisso…
Conhecem a doença de Crohn? E o néctar Krohn?
Muda-se uma letra, perde-se a essência, ganha-se o ânimo e a alegria.
Alguns dirão que é indecência — mas a vida também se faz destes pequenos desvios.
Por falar em desvio, abram alas, afastem-se, que tenho que dormir. Amanhã é dia de trabalho.
E este cheiro a cinza seca, a pairar no ar quente e seco, não augura um bom sono.
Depois da noite e de um dia, Portugal sobreviveu no Mundial.
O calor é cada vez mais intenso e as casas estão secas e quentes.
A humidade atmosférica parece intimidada.
E nós lá continuaremos, ludibriados pelos filmes de uma verdade a cores — essa verdade que a vida insiste em projetar, com um enorme fundo de ecrã negro.
Foto2 "Garrafa do Vinho Krohn 2022"

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