REVELO-ME ATRAVÉS DE SIMPLES VERSOS (Reservados os direitos de autor)
sábado, 7 de março de 2026
Poema "A UM CARVALHO"
A UM CARVALHO
Ele continua.
Escondeu-se,
perdeu as folhas.
No recato do sossego
sofreu o frio da dor
insuportável,
o vazio sem cor.
Mas nas suas veias
sempre correu
lentamente e a fluir,
a esperança
em amor.
As raízes são fortes,
são lembranças
e alimento
de quem o plantou,
de quem passou,
mas vive.
Olho para ele e vejo
o presente e o futuro,
o perpetuar da vida
naquilo que desejo:
em mim,
em ti,
em todos nós.
José António de Carvalho, 07-março-2026
domingo, 22 de fevereiro de 2026
Poema "PRIMAVERA"
Fechei a porta ao tempo
da escuridão dos dias.
Abri a minha alma
às promessas de luz,
de sonho e de vida
nos ramos das árvores.
Deixo que o sol
me ilumine os olhos,
faíscas claras
no bulício das águas.
Como precisava
que chegasse o momento…
Afasto-me da porta.
Embriago-me de primavera.
José António de Carvalho, 22-fevereiro-2026

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Poema "ANIVERSÁRIO"
ANIVERSÁRIO
Se houvesse um
sopro,
palmas, centelhas de luz…
Um cântico de
alegria
a saudar a vida.
Se houvesse magia
e o anúncio da primavera,
família em
volta,
em calorosa harmonia.
Se Deus o
tivesse querido,
bastaria operar
um milagre dos antigos.
Estarias aqui,
no teu aniversário,
com família e amigos,
recebendo
parabéns
e abraços fraternos.
Agora, apenas
memórias e orações,
saudades vivas nos corações.
José António de Carvalho, 16-fevereiro-2026
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Reflexão: "A VIDA E O RELÓGIO DO SÉCULO XX"
Texto para todos — Mas particularmente para aniversariantes.
A VIDA E O RELÓGIO DO SÉCULO XX
A VIDA E O RELÓGIO DO SÉCULO XX
Penso na vida como um velho
relógio de ponteiros, desses que indicavam o dia, a semana, o mês. Um relógio
ultrapassado, mas ainda muito apreciado pela sua beleza e delicadeza.
Penso, também, na forma estranha
como o tempo acelera à medida que avançamos.
Aos dez anos, a vida
arrasta-se, quase imóvel, como o marcador do mês — olhamos, voltamos a olhar,
e nada parece ter mudado.
Aos vinte, avança com a lentidão
confortável do indicador da semana. O tempo ainda é largo, ainda há espaço para
tudo. Chega a cansar olhar para o relógio sempre na mesma hora.
Aos trinta, o tempo ganha
cadência. Já não o seguimos com os olhos, mas com os sentidos; confiamos nele.
O dia passa como o ponteiro das horas: constante, previsível, quase silencioso.
Apenas acreditamos que passou depois de ele já ter passado.
Aos quarenta, o dia passa como
passam os bons dias, com manhãs, tardes, fins de tarde e boas noites: nem
depressa, nem devagar, apenas como como deve ser.
Aos cinquenta, o dia já nos
engana. Entra num carro a diesel: começa devagar, quase hesitante, mas, quando
damos por isso, já está a chegar ao destino.
Aos sessenta, o dia precipita-se.
Vem à velocidade de um carro de Fórmula 1. Vemos a forma, adivinhamos a cor, e
já passou — ficam o fumo, o cheiro a borracha quente dos pneus e o deslocamento
do ar. Ficamos ainda a tentar perceber o que aconteceu, e entretanto passa uma
semana, ou um mês.
Aos setenta, surge como a
surpresa de um avião supersónico. Vemo-lo e assustamo-nos; rodamos o pescoço,
tentamos segui-lo com o olhar, e só depois chega o som — de outro Natal que
passa — e comovemo-nos.
Foto do Instituto Português de Relojoaria
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Poema "VALE A PENA"
VALE A PENA
Vale a pena resistir
À mutilação do sonho,
Ao fantasma do fracasso.
Pegar as rédeas e ir
À procura de um espaço.
Vale a pena analisar
Cada lágrima vertida,
Cada noite não dormida
Pela dor que quis ficar
No meu peito a macerar.
Vale a pena acreditar
Que o amor não morreu,
Não foi enterrado – vive…
No que sou e onde estive,
No que resta caminhar.
José António de Carvalho, 27-janeiro-2026
Foto da minha autoria
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Poema "ENCANTO"
ENCANTO
O encanto mora
Em cada segundo,
Em cada hora…
E em cada dia
Em que a tarde cai,
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Poema "2026, SEM PRESSA"
2026, SEM PRESSA
Não digo mal de um velho
Que andou na corda da vida
E que para mim é espelho
Do que quero viver ainda.
Fique o velho 2025,
Que até foi abençoado,
Limpo, de rosto absinto,
Sem preconceito de passado.
Que venha de manso, sem pressa,
Em voo de ave e de luz,
Pôr fim ao ódio depressa
Que ao abismo nos conduz.
José António de Carvalho, 01-janeiro-2026
Foto "Pinterest"

