segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Poema "AINDA…"


AINDA…


Me lembro dos tempos agudos,
dos ventos agrestes, sisudos,
nos ombros dos homens cansados.

Também dos tempos de quimeras,
sons de flautas e violinos
vibrantes de sonhos sonhados.

Dos tempos de aventura e mel,
do lume e força da palavra
gravada em ouro com cinzel.

Recordo do que ainda me lembro,
tudo o resto de pouco importa,
se o tempo anda e com ele aprendo:

que a vida é só um setembro
com frio rosto de janeiro
cansado, a bater-me à porta.

José António de Carvalho, 28-outubro-2024
Quadro de António Miranda



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