sábado, 11 de outubro de 2025

Poema "GOTEJO INTERIOR"


GOTEJO INTERIOR

Carrego dias longos
e árvores cansadas,
campos dourados
que ainda sonham junho,
começos e fins de dias
de melodias calmas,
meses e vidas
que escorrem por dentro.

Ainda me movem
as ilusões que vejo
de olhos fechados,
e a tua silhueta
a fugir na pele imóvel das águas
de mares secretos.

A liberdade,
só em sonho floresce
e nos inebria,
em versos singelos,
desamarrados de dogmas,
curados da mentira.

Já não sei se o que sinto
é água ou dor,
ou o alvoroço
do desmaio das flores
a murchar no gotejo do tempo.

Mas sei que os cravos
são almas livres,
e que as rosas
são brisas perfumadas.

Sei que o respeito e o sorriso,
o olhar e o silêncio,
a mão e o seu calor,
são centelhas de amor.

José António de Carvalho, 11-outubro-2025





2 comentários:

  1. Lindo e verdadeiro!
    Menos é mais.... " O olhar e o silêncio tb são mensagens de amor"

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