PODIA ESTAR CALADO. AFINAL, É DOMINGO À TARDE...
Nada mais falso do que a frase
tantas vezes repetida: “Sou feliz como sou. O que os outros pensam não me
importa para nada.” É falso. Profundamente falso.
Vivemos todos em sociedade, mesmo
quando insistimos em viver isolados. Mais cedo ou mais tarde, para existir,
precisamos de sair do nosso casulo. E, quando saímos, confrontamo‑nos com
notícias, conversas, atitudes e acontecimentos que nos mostram que estamos
longe dos outros — e, perante esse desconforto, agarramo‑nos ao argumento
fácil: “Os outros é que estão mal. Eu estou certo. Continuarei a ser como
sempre fui.”
Mas esta visão de nós, dos outros
e da vida não nos leva a lado nenhum. Fecha‑nos. Encolhe‑nos. Torna‑nos mais
sós e menos capazes de ver a realidade do mundo.
E se isto é verdade para cada um
de nós, é também verdade para quem lidera. Basta olhar para os erros dos
líderes das grandes potências — e de tantos outros países. Vivem fechados sobre
o seu ego, sobre o seu interesse imediato e sobre o círculo que os rodeia.
Assim se cria um fosso cada vez maior entre ricos e pobres, fortes e frágeis,
informados e ignorantes.
Quando o mundo funciona assim,
não admira que quem está no lado desfavorecido deseje subir ao patamar dos
favorecidos. E daí nascem a corrupção, os favores, as pressões, o uso de
influência, as guerras. Porquê?
Porque vivemos num sistema onde o
dinheiro e o poder dominam tudo. O ser humano deixou de ser o centro. O ser
humano voltou ao antigamente e é, cada vez mais, instrumento.
O dinheiro compra tudo —
inclusive poder. O poder decide. E quase sempre à custa do mesmo grupo: os
contribuintes, aqueles que pagam, sustentam, suportam e raramente são ouvidos.
Talvez o primeiro passo para
mudar isto seja reconhecer o óbvio: ninguém vive sozinho, ninguém se constrói
sozinho, ninguém se salva sozinho. A relação com o outro não é uma ameaça — é a
única possibilidade de futuro.
Bom domingo.
A escrita esta muito boa. Mas não subscrevo o conteúdo. Estamos cada vez mais isolados e solitários num mundo em rede.
ResponderEliminarEstimado(a) leitor(a)
EliminarEm primeiro lugar, quero agradecer-lhe ter lido o texto e ter ficado com opinião positiva.
Muito obrigado!
Concordo com a sua opinião do isolamento das pessoas, apesar de estarem ligadas em rede permanentemente. É só quererem aproximar-se. Mas não o fazem.
Gostaria de conhecer melhor a sua opinião.
Um abraço.