VOZ E ASA
Eu, que vivo aqui em baixo,
Com os pés desejosos de terra firme
A contemplar o céu azul,
Vejo sempre alguém que impõe
A si próprio patamar tão alto,
Que deseja intensamente
Ter o mundo a seus pés:
E pisa, e anula, e afunda;
Tanto o que se deixa afundar
Como o que não se deixa humilhar.
Alto! Parem!...
Que nós somos grito,
Nós somos pedra.
Se assim continuarem
Teremos de Levantar Voz,
Teremos de Abrir Asa.
José António de Carvalho, 20-setembro-2026
Foto Mercado do Bolhão (Porto)
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