domingo, 20 de setembro de 2026

Poema "VOZ E ASA"



VOZ E ASA

 

Eu, que vivo aqui em baixo,

Com os pés desejosos de terra firme

A contemplar o céu azul,

Vejo sempre alguém que impõe

A si próprio patamar tão alto,

Que deseja intensamente

Ter o mundo a seus pés:

E pisa, e anula, e afunda;

Tanto o que se deixa afundar

Como o que não se deixa humilhar.

Alto! Parem!...

Que nós somos grito,

Nós somos pedra.

Se assim continuarem

Teremos de Levantar Voz,

Teremos de Abrir Asa.


José António de Carvalho, 20-setembro-2026
Foto Mercado do Bolhão (Porto)





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