PROCURA
Procuro-te nos barcos
de velas içadas ao vento,
nas proas levantadas
a rasgarem mares
de dores e desalento.
Nos travos de alegria
bebidos dum sonho
pintado a branco.
Mas depois aponho
que são apenas fantasia.
Procuro-te assim
sem rumo, sem norte,
a poucas páginas do fim…
Páginas gastas, amareladas,
que dizem tudo de mim
e também da minha sorte.
REVELO-ME ATRAVÉS DE SIMPLES VERSOS (Reservados os direitos de autor)
sábado, 28 de dezembro de 2024
Poema "PROCURA"
sábado, 21 de dezembro de 2024
Poema "SOL DE NATAL"
SOL DE NATAL
Vem Sol, Nasce!
Nasce Luz Natural!
Fio de seda,
Branda, branca,
Alva, de alvura
Vem e desce-nos
Preenche-nos
Na Tua Luz Natural
De Amor
De Natal!
Feliz Natal a Todos!
José António de Carvalho, 21-dezembro-2024
segunda-feira, 25 de novembro de 2024
Poema "RUMORES DA POESIA"
RUMORES DA POESIA
Onde guardas a palavra que me disseste, e que me fez descobrir a doçura de fruta que as palavras podem ter?
Que silêncio secreto é este,
que se abafa nas folhas de um livro guardado que nos faz voar quando o abrimos?
Diz-me com que jeito te pegue
nas mãos, para procurar as palavras que bailam na tona das águas calmas do mar?
E quando alcanço o pensamento das
árvores em rumor deste íngreme monte, onde é que repousas os silêncios dos
versos dos teus poemas?
Oh… deixa-me ficar a
contemplar o sol através da folhagem do pensamento, saciando-me a beber todas as
gotas de poesia que vão caindo.
Deixa-me ficar assim… Tão
perto do que é distante.
domingo, 24 de novembro de 2024
Texto "NATAL NO RIO" - Antologia de Natal da Chiado Editora
Texto que integra a Antologia de Natal - 2024, Chiado Editora.
NATAL NO RIO
Corre no rio da vida um mar de histórias reais verdadeiramente surreais, mais surreais do que a própria real racionalidade suporia, parecendo a mais pura ficção aquecida, horrivelmente testada e subtilmente não explicada.
Ora, a ficção da realidade é
um útil opiáceo para o Homem, fazendo-o acreditar, andar, transformar-se,
crescer e reproduzir-se. Crescer como um rio, que surge das singelas gotas de
água lacrimejadas pelo ventre da terra e que se vão juntando até formarem um
fino fio de água, dando as mãos a outras tantas gotinhas, e outras, e outros
tantos mais fios de água, até formarem um caudal generoso designado por rio.
Malogradas, muitas delas não sabem porque estendem a mão ou porque dão a mão.
Apenas o fazem porque as outras também o fazem.
Como se sabe, o rio corre
sempre aumentando o seu caudal através das afluências que chama a si, e por si
vai deslizando de forma incorrigível até outro rio ou até ao mar. E no mar,
tudo o que é lançado dilui-se na sua grandiosidade e perigosidade.
Nós, neste mar turbulento e
turvo de ódio, ganância e guerra, não podemos nunca perder de vista o horizonte da
nascente do rio, a nascente da água pura da vida inocente e frágil, da vista
imaculada e sonhadora do menino que olha com angústia e tristeza para este rio,
que no seu curso vai perdendo pureza e vai-se transformando numa mixórdia de
águas impróprias.
Somos águas em movimento de um
rio tendencialmente em degeneração de virtudes. Não deixemos morrer a criança
que ainda pode viver em nós. Alimentemo-la todos os dias.
Olhando para a corrente do rio
que somos, que aprendamos a conviver melhor com as nossas próprias margens e
limites, com os nossos peixes, com as nossas plantas, com a biodiversidade que
nos circunda, e com a nossa própria essência. Só assim o menino terá um brilhozinho
de esperança nos seus olhitos.
Feliz Natal todos os dias!
Vermoim, Vila Nova de Famalicão
terça-feira, 19 de novembro de 2024
Poema "CARTA AOS AMIGOS"
CARTA AOS AMIGOS
Amigos,
Sei que aos vossos olhos
posso parecer um pouco louco.
Sim. Apenas um pouco,
daquilo que é a loucura total
do mundo em que vivemos.
Uma normal loucura mundial.
Razões para dizer isto
todos temos, todos têm.
No entanto,
são sinais que vão e vêm
por esse mundo infernal fora,
que perde o futuro no agora.
O pior disso tudo
é que não consigo ficar mudo…
E se isto pode parecer pranto,
sabendo que não sou santo,
peço-vos com a maior mesura
que, antes de selarem a minha,
saibam o que é a verdadeira loucura.
José António de Carvalho, 19-novembro-2024
sábado, 9 de novembro de 2024
Poema "SEGURO PELO POEMA" - Inspirado no Poema de Joaquim Pessoa
SEGURO PELO POEMA
Quando abro os olhos no meio da escuridão, eu vejo luz no poema.
Quando a solidão me lança no chão, levanto-me na força do poema.
Quando a mentira me mergulha no pântano, emerjo na limpidez do poema.
Quando a dureza da realidade me sufoca, eu grito pela boca do poema.
Quando o medo me impede de avançar, eu sinto a mão do poema.
Quando luto com a minha insegurança, sigo no leito do poema.
Quando a tristeza é tão forte como eu, deixo-me voar no sonho do poema.
Quando a dor me faz cambalear, eu bebo a cura no poema.
Quando não tenho o amor, eu abraço e beijo o poema.
Porque cada poema escrito é um caminho de luz para a vida.
José António de Carvalho, 09-novembro-2024
quinta-feira, 31 de outubro de 2024
Poema "HERÓIS DESPIDOS"
HERÓIS DESPIDOS
Na corda secava a roupa
Desse tempo de memórias
Que o forte sol aqueceu.
Eram divinas histórias
Que o mesmo enfraqueceu.
Triunfos inesperados
Desses heróis consagrados
Repletos de admiração
Que hoje já não são lembrados;
São heróis só de coração.
Agora, apenas os vãos
Dessa corda já despida.
E se a memória é pouca,
Esquecida está a roupa,
Remendada está a vida.
José António de Carvalho, 31-outubro-2024
segunda-feira, 28 de outubro de 2024
Poema "AINDA…"
AINDA…
Me lembro dos tempos agudos,
dos ventos agrestes, sisudos,
nos ombros dos homens cansados.
Também dos tempos de quimeras,
sons de flautas e violinos
vibrantes de sonhos sonhados.
Dos tempos de aventura e mel,
do lume e força da palavra
gravada em ouro com cinzel.
Recordo do que ainda me lembro,
tudo o resto de pouco importa,
se o tempo anda e com ele aprendo:
que a vida é só um setembro
com frio rosto de janeiro
cansado, a bater-me à porta.
José António de Carvalho, 28-outubro-2024
sábado, 12 de outubro de 2024
Poema "TALVEZ POSSAS POR AMOR…"
TALVEZ POSSAS POR AMOR…
Talvez possas por amor…
Pegar na caneta
e fazer dela a eleita.
Fazer baixar armas
entre mares e desertos,
montanhas e savanas,
nos lugares mais discretos.
Terás que fazer viva paz
na vida que levas.
Viver na tranquilidade
afugentando as trevas.
As trevas da vida
são o cadafalso maior,
E a maior causa de morte
é a falta de amor.
José António de Carvalho, 12-outubro-2024
segunda-feira, 7 de outubro de 2024
Poema "MORTE"
MORTE
Sinto o tempo a bater perto.
O Inverno chegará num pestanejar.
É grave, a vida despida.
Gravíssimo, a vida faminta.
Arrepiante, a vida em fuga.
Degradante, a vida doente.
Nefasta, a vida sem sorte.
É crime, a vida sem vida.
E quem assim se sustenta,
Fecha os olhos e consente,
Ou se dela se alimenta:
terça-feira, 24 de setembro de 2024
Poema "CAIS DO SILÊNCIO"
CAIS DO SILÊNCIO
Fico a chorar o verão
Que foi pelo labirinto
Sem saber a direção
Que tomar. Mas eu pressinto
Que ele vá na que prevejo:
Essa que chama o desejo.
Do verão fica a saudade
Que mais parece ilusão,
E do corpo frio que arde
Só se salva o coração,
P’la artéria que o alimenta
E que a esperança sustenta.
Mas o dia foge cedo
P’ra descer a noite fria,
Cais de silêncio do medo
Duma memória vazia.
E para o vazio encher
Novo dia há de nascer.
José António de Carvalho, 23-setembro-2024
terça-feira, 3 de setembro de 2024
Poema - SETEMBRO
SETEMBRO
É mais um setembro calmo.
Sempre setembro maduro.
Que no ano é nono palmo,
A três palmos de um futuro.
Quem assim o tempo mede,
Mede-o pondo-lhe a mão
Movendo-o em toque leve,
E as folhas caem no chão.
É setembro, sopra a brisa
Que desprende o pensamento
Enquanto a alma se ameniza
Da angústia que vem no vento.
É setembro, tudo dito;
Vem com ele a nostalgia
A desdobrar o conflito
Entre mim e a noite fria.
José António de Carvalho, 02-setembro-2024
quarta-feira, 28 de agosto de 2024
Poema "O MENINO"
quarta-feira, 7 de agosto de 2024
TEXTO "FÉRIAS DE SONHO OU DOS SONHOS?"
FÉRIAS DE SONHO OU DOS SONHOS?
Com as férias quase a terminarem, são sempre poucos dias e
pouco de quase tudo. Quase sem sair fisicamente de casa, apenas foram férias da
rotina da hora de levantar e deitar. Coisas que, mesmo assim, não alterei
muito. Grande parte do dia passo-o no meu silêncio quase ensurdecedor. Espero
que os vizinhos não se aborreçam pela poluição sonora que lhes causo.
O dinheiro para as férias, por algumas vicissitudes muito
frequentes na vida das pessoas, deu lugar a outras prioridades, até a outras
oportunidades. Não me posso queixar à luz do que sou.
O dinheiro acaba por assumir-se como o centro de tudo:
"A razão das razões". O que me parece altamente negativo para a vida
e para a humanidade. Sim, a humanidade no seu todo. Porque todos sofrem com a lei
desta visão, que é venerada e idolatrada para muito benefício de apenas alguns,
mas que, depois, se estende numa longa rampa a descer até àquele que se
encontra quase na base. Porém, mesmo assim, este acha-se inatingível,
inalcançável, pelo que se encontra na base, e pisa-lhe na cabeça, esquecendo
que tem tantos e tantos a pisarem a sua própria cabeça. Que dores de
cabeça...
As férias já são muito boas se tivermos leveza no pensamento,
alegria no coração e o brilho na menina dos olhos pelo movimento do pequeno
comboio dos sonhos, que devagarinho lá segue e avança, voando e navegando
livremente de paraíso em paraíso, mergulhando-nos em bem-estar e satisfação.
Boas férias! E… sobretudo, Sonhe!!! Sonhe por si e por aquele
que não sabe, não pode ou não o deixam sonhar.
Praia do Alemão - Portimão (Site: Viagens / Sapo)
terça-feira, 6 de agosto de 2024
Poema "FLORES DA VIDA"
Minhas ideias imprecisas
Vindas no vento do além
Galgaram altas barreiras
E transformaram desertos
Em imagens verdadeiras.
Não. Nada digo a ninguém…
Que havia umas feiticeiras
Que saíam dos coretos
Para matarem os sonhos
A quem passasse por perto.
Só nas horas derradeiras
Hei de falar-vos, por certo,
Do sonho que uma vez tive
E que em mim resiste e vive,
José António de Carvalho, 06-agosto-2024
quinta-feira, 25 de julho de 2024
Poema "ILUSÕES DE VERÃO"
ILUSÕES DE VERÃO
Colo o pensamento no oceano
para serenar o espírito que ferve
pela vaga de lume que sai do sol,
e lançada sobre a terra
tudo arde.
Oh, misterioso e longínquo mar,
que assim te vejo intermitente:
tão perto de mim, tão longe,
tão dentro, e tão ausente…
Trago-te selvagem, ó desordeiro,
dentro da vida agreste, e avanças
com a espuma amarela do sal
a queimar o brilho dos olhos
das crianças.
Mais fresca é a brisa dos versos
que paira no ar presa ao dilema.
Assim breve, e verdadeiramente
domingo, 7 de julho de 2024
Poema "MAR DA VIDA"
MAR DA VIDA
Neste dourado do dia
onde a alma lá se aconchega
a esta paisagem sombria
noutro dia que ao fim chega.
O sol morno só aquece
onde o calor ainda existe,
se o não tem mais arrefece
nem com ajuda resiste.
Ah, que se sente a frescura
do nosso tempo a passar
na água, e nele a brancura
da espuma que veste o mar.
José António de Carvalho, 07-julho-2024
domingo, 30 de junho de 2024
75.000 Visualizações - Sorteio do livro "SENTE, LOGO VIVES E SONHAS" - O premiado foi: ...
quinta-feira, 6 de junho de 2024
Poema "VIVER AGORA"
VIVER AGORA
Olhar à volta, ver o mundo
e não ver nada é a mesma coisa.
Tudo corre, tudo passa
sem nos ver e sem ser visto.
E o que se vê é algo já visto
há muito tempo, que agora é cisco.
Vem a curva trair a visão
e a visão turva é outra traição.
Natureza singela diz-nos o caminho
p’ra vida ser bela, mesmo que pouquinho.
Teça-se neste dia, a cada momento,
um nico de fantasia e gotinhas de alento.
José António de Carvalho, 06-junho-2024
quinta-feira, 23 de maio de 2024
Poema "FOGO"
Olho os teus olhos
toco-lhes o brilho
e roubo-lhes o mel
E o sol dança
e aquece a lança
que espera Deidade
Pelos dedos semeia
o fogo nas veias
na busca da eternidade
num grito que se solta
do corpo incendiado
enquanto tudo morre à volta
José António de Carvalho, 23-maio-2024
sábado, 11 de maio de 2024
Poema "ASAS REAIS"
ASAS REAIS
Asas lindas do pensamento
que andais agora tão cansadas…
nem sei qual a real razão
que as obriga a um voo tão lento.
Certo é que não é do vento
e nem das marés apressadas.
Agora já não travo lutas
que afundem o meu coração
nessa nebulosa do abismo.
E voar será sempre mais
um momento de elevação,
faúlha de tímido sonho
entre sopros de realismo.
José António de Carvalho, 11-maio-2024
sábado, 4 de maio de 2024
Poema "DIGO-TE…"
DIGO-TE…
Encheste o cálice da vida
e eu nasci dentro do tempo,
lançado à ira de um frio janeiro.
Deste-me a mão e eu andei,
e até aprendi a fugir de ti.
Mas… logo, logo, regressava.
Colavas-me os teus olhos,
e sob o teu olhar eu crescia
sem que tu o percebesses.
Revoltava-me comigo e ia,
pensando que tinha crescido
em tudo, e também contigo.
Mas as raízes eram fortes,
agarradas à terra e às tuas mãos
que me continuaram a alimentar.
Por isso, ontem como hoje,
vendo que a vida nos foge,
és tão importante para mim.
Não para me amparares
ou orientares no caminho,
mas para sentir que estás comigo.
Quero que me envolvas no teu olhar
e nunca me sentirei sozinho.
É só assim que há primaveras
e o teu Dia, Mãe…
José António de Carvalho, 18-março-2024
Foto com a minha mãe no meu aniversário durante o jantar - Restaurante D. Henrique (Joane)
sábado, 20 de abril de 2024
Poema "RAÍZES DOS CRAVOS"
RAÍZES DOS CRAVOS
O tempo nunca esmagou
esse desejo indomável
de correr pelas searas
entre papoilas vermelhas
que a memória guardou.
Ergueram-se rubros cravos
que nasceram para sempre
enraizados na história,
no íntimo e na memória,
desse abril ainda presente.
E nasceu para viver
também no que agora nasce,
porque aquele que morreu
esse abril nunca esqueceu.
Lutou para que ficassem,
entre nós e prós vindouros,
novas sementes e frutos
de singelos cravos rubros
naturais da cor do sangue
dum sonho que não se extingue.
José António de Carvalho, 12-março-2024
terça-feira, 16 de abril de 2024
Poema "MÚSICA É LIBERDADE"
Abre Abril
o que se mantém fechado.
Talvez um violino junto ao rio
no fervor das cordas vibrantes
lance as notas da liberdade
nos versos que hoje cantamos
e que não se cantavam antes.
É assim que se abre esse Abril
farol de épica transformação
que do silêncio fez palavras
quando cantadas a razão e lei
que rege a razão e o coração…
E será sempre Abril
independentemente da condição
sempre que se cante nova canção!
José António de Carvalho, 16-abril-2024
domingo, 7 de abril de 2024
Poema "SAUDADE" (Soneto, adaptado)
Poema "SAUDADE" (soneto)
quinta-feira, 4 de abril de 2024
Poema - "SEDUÇÕES DE ABRIL"
SEDUÇÕES DE ABRIL
Abril, abril que seduzes as aves,
Os verdes campos, as sementeiras;
Cravaste luz nos olhos cegos com traves
De uma vida faminta em ovelhas ordeiras.
Sopra a brisa leve deste abril no rosto,
Perfume de cravos, rosas, rosmaninho.
Agora já não é tarde para a flor do linho
Adornar cinquenta anos, e tanto gosto…
E logo que morreu o reino das trevas
Em que pensar era pecado, heresia,
Fica-nos na boca o sabor da democracia
E todos os sonhos que nas asas levas.
José António de Carvalho, 04-abril-2024
segunda-feira, 1 de abril de 2024
Poema "NÃO É MENTIRA"
NÃO É MENTIRA
No meu coração trago a minha terra.
As minhas veias são ruas e ruelas
rodeadas de verde e bem iluminadas,
que não acabam nas casas de portas fechadas,
mas apenas onde se deixa de ver
a razão do coração pintada a fantasia
no rosto da minha terra a rir de alegria…
José António de Carvalho, 01-abril-2024
Foto da minha autoria.
domingo, 31 de março de 2024
Poema “PAZCOA”
“PAZCOA”
Estendam-se todos ramos e flores
para que a entrada seja gloriosa.
Rendam-se as armas, extingam-se ódios.
Purifiquem-se todos os autores
da selvajaria mais escabrosa
que nos persegue dos tempos primórdios,
anulando e calando os defensores
de urgente dia de Paz gloriosa.
José António de Carvalho, 31-março-2024
terça-feira, 19 de março de 2024
DIA DO PAI
MEU PAI...
Que melhor memória, que maior amor te poderia manifestar, do que ter a tua presença em mim.
Nestes dias em que a natureza explode
de alegria em saudação à chegada da Primavera, olho à minha volta para te oferecer
a maravilha que os meus olhos vislumbram e toda a ternura que reveste o meu
coração ao recordar-te.
Que as lágrimas que agora enchem
os meus olhos, sejam capazes de tornarem límpidas e de alimentarem as memórias,
e o amor que guardo de ti, e também do Nel que agora tens por companhia, e que
faz com que as saudades por ambos sejam do tamanho do mundo.
Prometo-te que continuarei a tratar do carvalho
que juntos plantámos. Está lindo… e dá boa sombra.
José António de Carvalho, 19-março-2024
domingo, 25 de fevereiro de 2024
Poema "SEDE"
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024
Poema "LUZ"
LUZ
Nunca desisti.
Segurei tantos estilhaços,
também muitos sonhos
entre os meus braços.
Bebi a luz aos poucos
vislumbrada lá do fundo
deste mundo de loucos
ou doutros doutro mundo.
Jurei a mim mesmo
que o caminho continuaria
e que o sonho perseguiria
como rio que não para…
chegar a calma enseada
e no seio da alquimia
alcançar a madrugada
nesse leito de poesia…
José António de Carvalho, 15-fevereiro-2024
terça-feira, 13 de fevereiro de 2024
Poema "MOMENTOS DE SORTE"
MOMENTOS DE SORTE
Sou um afortunado
quando em mim se geram
sentimentos sublimes.
Quando irrompo na melodia
sem esconjurar o silêncio
onde moro na persistência.
Quando abraço a luz
que foge de entre as abas
dum surdo suspiro de lábios
a abafar sonhos quentes.
Quando da ternura me enleio
abrindo relíquias coloridas
das simples palavras de permeio
arrancadas do cerne, e tão sentidas.
José António de Carvalho, 13-fevereiro-2024
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024
CARTA DE AMOR
Ah meu amor,
A música que me vibra nas veias tempera o sangue tomado pelo amor que se soergueu bem alto dentro de mim, sulca-me a alma às profundezas do mar e lança-me no tempo da leveza, como o pássaro que se aventura na liberdade do voo ao abandonar o calor do ninho para sentir o prazer de sorver todo o perfume da primavera.
Como é bom. Como é bom… voltar a estremecer inseguro pela aproximação da força crescente do magnetismo que me aspira o espírito, sentir o cheiro da terra quente acabada de ser lavrada em pleno abril, abrir os olhos e lavá-los nas lágrimas de felicidade de um sorriso depois de te beijar.
sábado, 20 de janeiro de 2024
Poema "CABE NUM DIA"
segunda-feira, 15 de janeiro de 2024
Poema "A SEGUNDA FUGA"
A SEGUNDA FUGA
Às vezes fujo por entre densos arvoredos,
outras por entre casas cavernosas vazias.
E enquanto fujo vou escapando a medos,
no acesso a horas ainda mais tardias.
Depois, lá encontro... e logo me defronto:
com a terra, com o mar, com as estrelas;
palavras que em dicionários não encontro
e que antes pensava serem as mais belas.
E as flores… as flores e a vida.
As flores que lembram sempre a minha terra;
essa terra cheia de vida que me vai engolir.
E aí é que se dá a guerrilha dentro de mim,
que mais cedo do que tarde será uma guerra.
Oh… essa guerra a que ninguém pode fugir,
que passará a certeza de um esfumado dilema:
se viver é pior ou melhor do que o que está para vir.
E não é hora, nunca é a hora para o fim do poema.
José António de Carvalho, 11-janeiro-2024
quarta-feira, 10 de janeiro de 2024
Poema "PRIMAVERA SONHADA"
PRIMAVERA SONHADA
Sonho com a primavera
neste janeiro decadente
e com esse sol ausente.
Alma triste em corpo frio
enrolado enquanto espera,
morrendo a cada arrepio.
Eles não sabem que o sonho
com que sonha toda a gente
é um sonho diferente
da água a descer o rio.
Assim eu sigo tristonho
e ela desliza em delírio.
Eles não sabem que sonho
com poesia cantada
em versos à minha amada
nos dias de primavera.
sonhe sonhos que eu tivera.
José António de Carvalho, 10-janeiro-2024