ALGO QUE PODEMOS MUDAR?
(no dia dos fiéis defuntos)
José António de Carvalho, 02-novembro-2023
REVELO-ME ATRAVÉS DE SIMPLES VERSOS (Reservados os direitos de autor)
HOMENAGEM AO MEU PAI E AO MEU IRMÃO (01-Novembro)
LEVA-ME A SAUDADE
Pega-me na mão e leva-me para onde o sol se sinta ameno,Feliz Dia do POETA!
Hoje percebo um pouco melhor os
poetas.
Não é poeta quem quer ser poeta,
mas aquele que se liberta da matéria
e se deixa voar em emoções.
Daí que o poeta só o consiga ser
em pequenos espaços da sua
existência,
designados por momentos de
inspiração.
E se a vida é como uma flor,
direi que, é como uma roseira,
que desabrocha do botão,
a mais apaixonante das pares,
e, pouco tempo depois
começa a desprender-se das pétalas,
deixando: umas, voarem para o chão;
outras, ficando presas nos espinhos
de outras roseiras; outras ainda,
prendendo-se nos próprios espinhos,
ficando aí até terrivelmente secarem,
ou esperando que venha uma leve brisa
que as lance no chão para serem nada.
Ficam apenas memórias...
Memórias em quem pode e quer ter memória.
Ou, então, ficam as memórias gravadas
na arte de quem sabe fazer arte.
Boas inspirações!
Feliz dia do Poeta!
José António de Carvalho, 20-outubro-2023
Foto do site: www.calendarr.com/brasil/dia-do-poeta/
Fico-me pelas palavras simples, despidas de aura divina, das joias cintilantes e das vestimentas reais.
Palavras sem papos inchados, plumagens de faisões e intenções nebulosas.
Fico-me pela palavra, pela palavra uterina dos versos, de significados líquidos.
Palavras chuva, palavras vento, palavras sol; palavras semente, palavras verdes, palavras água e alimento;
palavras justiça, palavras rio, palavras planície e montanha, palavras fogo, palavras sentimento novo.
Palavras de grito pela natureza que morre, palavras de Homem que mata a fome, palavras da paz que não se faz, palavras de justiça a quem a desperdiça, palavras da ternura que segure a mão, palavras balbuciadas ao ouvido, que digam: “acredita, respeita, abraça, sonha, ama, e voa”.
Só assim as palavras deslumbram.
Receio que nunca mais possamos olhar calmamente o céu e nele
contarmos estrelas, deixarmo-nos beijar pelo sol ou de sentirmos a chuva humedecer-nos
o rosto, de enfrentarmos o vento a sacudir-nos a roupa batendo-a na nossa pele,
porque temos de andar atentos ao que se passa no chão e à nossa volta, esquecendo
que grandes perigos também nos podem chegar pelo ar, independentemente da altitude e
latitude.
"A amizade é o conforto da presença mesmo na ausência. O amor é amizade sem lugar para distâncias."
José António de Carvalho, 29-Agosto-2023
RAIO DE SOL
Tenho a minha alma a voar
por lugares magníficos,
entre estrelas e planetas
com um Sol maior a cantar
em nome de todos os profetas
que vieram anunciar, que:
“Errar é humano…”
Mas implicará prometeres
corrigir-te sem reservas
dos erros que trazes na alma
bem antes de os cometeres.
José António de Carvalho, 29-agosto-2023
Foto de Conceição Silva
NO GUME DAS PALAVRAS
As palavras são correntes,
eternas caminhantes, deslizantes.
São mágicas...
São sol, são água, são sal.
São tudo de bem
e são todo o mal.
Sejam condescendentes se as uso
embrulhadas e imprudentes,
na imprudência que em mim mora.
Perdoem-me as faltas em palavras
e as palavras em falta,
as lacunas brutais que me definem.
Às palavras repreendo-as,
aprendo-as, agarro-as e esqueço-as;
e lá fogem de mim assustadas.
Ah... as palavras douradas que se perdem
nos recônditos esconderijos do meu jeito,
sempre assim redondas...
São elas que me alimentam
e me explodem por dentro
quando se evadem do meu peito.
Talvez, talvez...
por isso tantas vezes
fique apenas por meias-palavras...

Poema meu e o quadro da pintora Hermínia Cândido que estiveram ligados ("uma imagem vale mais do que mil palavras") na Expoética, Braga-2023.
Coordenação de Fernanda Santos, Organização da CM Braga e Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva.
A todos o meu maior agradecimento.